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Um pouco mais sobre a gripe suína

O retorno do fantasma: o vírus H1N1

O vírus da gripe ou influenza representa – juntamente com o HIV – o exemplo mais extensivamente estudado de vírus que têm se associado ao homem. Os homens são infectados por três vírus da gripe relacionados entre si. Esses vírus, denominados A, B e C, pertencem à família Orthomyxoviridae. 
 
Dentre esses três vírus da gripe, apenas o tipo C causa infecções mais brandas. O vírus tipo B pode provocar consequências danosas para a saúde de seus hospedeiros. Por isso, ele é utilizado no Brasil em campanhas de vacinação para idosos, nos quais pode causar problemas graves e mesmo óbitos.  
O vírus tipo A, por sua vez, está associado à maioria das epidemias com consequências sérias. Tipicamente, as propriedades antigênicas (capazes de provocar a formação de anticorpos) dos vírus tipo A variam um pouco de um ano para o outro, um processo conhecido como deriva antigênica. Esse processo é responsável pela incapacidade do organismo humano hospedeiro de criar uma resistência permanente contra a gripe.
Contudo, em três ocasiões durante o século 20, as propriedades antigênicas do vírus da gripe tipo A modificaram-se radicalmente. Essas mudanças (conhecidas como mudanças antigênicas) fizeram com que esses vírus passassem a apresentar um sorotipo diferente (linhagem que induz anticorpos diferentes no hospedeiro) e geraram pandemias que levaram milhões de pessoas à morte.
O vírus da gripe tipo A possui um genoma formado por uma cadeia de RNA de fita simples com oito segmentos separados. Cada um desses segmentos corresponde grosseiramente a um gene.
Cada sorotipo é determinado pelas proteínas hemaglutinina (H) e neuraminidase (N), codificadas respectivamente pelos segmentos 4 e 6.
Dezesseis sorotipos H e nove N são conhecidos. Existe também uma série de combinações entre eles. Porém, apenas poucos desses sorotipos são encontrados no homem e, tipicamente, apenas um ou poucos estão presentes na população humana em um dado período. Por outro lado, todos os sorotipos são encontrados em aves aquáticas, o reservatório natural do vírus da gripe tipo A. Alguns sorotipos estão presentes também em mamíferos como os cavalos e os porcos. 

A evolução dos vírus da gripe
Vítimas da pandemia de gripe espanhola de 1918.
Os vírus da gripe foram caracterizados inicialmente na década de 1930 e o primeiro sorotipo identificado foi denominado H1N1. Uma mudança antigênica ocorreu em 1957, levando ao surgimento do sorotipo H2N2 e à pandemia conhecida como gripe asiática. Outra mudança ocorreu em 1968 e deu origem ao sorotipo H3N2 e à gripe de Hong Kong.
Estudos indicam que a gripe espanhola de 1918 marcou o início da infecção dos vírus H1N1 no homem. Essa foi de longe a pandemia humana mais severa doséculo 20 – e obviamente de todos os tempos. Estima-se que ela tenha levadopelo menos 40 milhões de pessoas à morte.
O enorme impacto dessa pandemia sobre a saúde humana não ocorreu devido a uma associação de formas virais já presentes na espécie humana, mas sim devido à introdução de um sorotipo completamente novo de vírus (o H1N1) proveniente das aves.
Durante os últimos anos, tem-se observado o ressurgimento do sorotipo H1N1 na população humana. Um exemplo desse tipo de evento é a atual gripe suína, que, até o fechamento desta coluna (no dia 30 de abril), já havia infectado 260 pessoas somente em seu local de origem – o México – e provocado 12 mortes no país.
Portanto, a gripe suína não representa uma grande novidade em termos evolutivos, mas sim um velho fantasma que a humanidade tem combatido nos últimos 90 anos. 
Jerry Carvalho Borges (Leia mais em
http://cienciahoje.uol.com.br/colunas/por-dentro-das-celulas/o-retorno-do-fantasma)

Cuidados com a gripe: Atchim!

Muito tem se falado nos últimos dias sobre a gripe suína (gripe mexicana) e uma possível epidemia. O caso está sendo tratado como novidade pela mídia, mas o vírus AH1N1 já é conhecido pelos cientistas, no entanto vacinas ainda não foram desenvolvidas. Com certeza, depois dessa expansão do vírus no México e EUA provocando mortes inesperadas novos esforços serão feitos para tal. 
Abaixo estão algumas características da Influenza para sua informação.

A Influenza, também conhecida como Gripe, é uma infecção do sistema respiratório cujas principais complicações são as pneumonias, que são responsáveis por um grande número de internações hospitalares no País. É uma doença muito comum em todo o mundo, sendo possível uma pessoa adquirir influenza várias vezes ao longo de sua vida. É também freqüentemente confundida com outras viroses respiratórias, por isso o seu diagnóstico de certeza só é feito mediante exame laboratorial específico.

Sintomas:
Os primeiros sintomas da doença costumam aparecer cerca de 24 horas depois do contágio. Iniciam-se com febre alta, em geral acima de 38ºC, seguida de dor muscular, dor de garganta, dor de cabeça, calafrios, prostração (fraqueza), espirros, coriza e tosse seca. Podem apresentar ainda pele quente e úmida, olhos hiperemiados (avermelhados) e lacrimejantes. As crianças podem apresentar também febre mais alta, aumento de linfonodos cervicais (gânglios no pescoço), diarréia e vômitos. A febre é o sintoma mais importante e dura em torno de três dias. Os sintomas respiratórios como a tosse e outros, tornam-se mais evidentes com a progressão da doença e mantêm-se em geral por três a quatro dias após o desaparecimento da febre.

Agente causador: 
A doença é causada pelos vírus Influenza da família dos Ortomixovirus. São conhecidos 3 tipos de vírus da influenza: A, B e C. Esses vírus são altamente transmissíveis e podem sofrer mutações (transformações em sua estrutura genética), sendo que o tipo A é mais mutável que o B e este mais mutável que o tipo C. 
Os tipos A e B causam maior morbidade (doença) e mortalidade (mortes) que o tipo C. Geralmente as epidemias e pandemias estão associadas ao vírus do tipo A. Os vírus do tipo B ocorrem exclusivamente em humanos, os do tipo C em humanos e suínos, enquanto os do tipo A em humanos, suínos, cavalos, mamíferos marinhos e em aves.

A doença pode ser transmitida:
  • de forma direta: através das secreções das vias respiratórias de uma pessoa contaminada ao falar, espirrar, ou tossir; ou
  • de forma indireta: por meio das mãos que, após contato com superfície recentemente contaminadas por secreções respiratórias de um indivíduo infectado, podem carrear o agente infeccioso diretamente para a boca, nariz e olhos.
Um indivíduo infectado pode transmitir o vírus desde dois dias antes até cinco dias após o início dos sintomas.
A transmissão direta entre humanos é a mais comum, mas já foi documentada a transmissão direta do vírus de aves e suínos para o homem (caso da Influenza/ Gripe Aviária).

Tratamento:
No estágio agudo da doença, repouso e uma boa hidratação são as principais recomendações. Os medicamentos antitérmicos podem ser utilizados, lembrando-se de evitar o uso de ácido acetil salicílico nas crianças. Medidas de suporte intensivo serão necessárias em caso de complicações severas nos pulmões, a fim de evitar possíveis casos de pneumonia.

Como medida geral de prevenção e controle de doenças de transmissão respiratória, recomenda-se:
  • higiene das mãos com água e sabão (depois de tossir ou espirrar; depois de usar o banheiro, antes de comer, antes de tocar os olhos, boca e nariz);
  • evitar tocar os olhos, nariz ou boca após contato com superfícies;
  • usar lenço de papel descartável;
  • proteger com lenços a boca e nariz ao tossir ou espirrar, para evitar disseminação de aerossóis;
  • orientar para que o doente evite sair de casa enquanto estiver em períodode transmissão da doença (até 5 cinco dias após o início dos sintomas);
  • evitar aglomerações e ambientes fechados (deve-se manter os ambientes ventilados);
  • é importante que o ambiente doméstico seja arejado e receba a luz solar, pois estas medidas ajudam a eliminar os possíveis agentes das infecções respiratórias;
  • restrição do ambiente de trabalho para evitar disseminação;
  • hábitos saudáveis, como alimentação balanceada, ingestão de líquidos e atividade física.

Todos esses cuidados são importantes para quaisquer doenças transmitidas por via respiratória e nas quais a porta de entrada no organismo sejam as vias aéreas e as mucosas.