O fator Rh é encontrado nas hemácias, verificando esses pesquisadores que ele obedece às leis da hereditariedade, sendo o Rh positivo um fator dominante em relação ao Rh negativo.
O indivíduo portador de um gene dominante R condiciona a formação do antígeno, sendo, portanto, Rh positivo. Os indivíduos de constituição genotípica rr, recessivos, não produzem o antígeno e são Rh negativos. Esquematicamente teríamos:
Fenótipos | Genótipos |
Rh+ | RR, Rr |
Rh- | rr |
Análises mais especializadas revelaram que o fator Rh é condicionado por uma série de três alelos (C,D, e E ). Veja o quadro:
Fenótipos | Genes |
Rh+ | CDE |
| Cde |
| cDE |
| cDe |
Rh- | CdE |
| Cde |
| cdE |
| cde |
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Na determinação do fator Rh positivo, o gene D é o que apresenta atividade maior. Daí, muitos autores chamaram o sistema Rh de sistema D e utilizaram a seguinte representação:
Fenótipos | Genótipos |
Rh+ | DD, Dd |
Rh- | dd |
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A determinação prática do fator Rh é feita pelo soro anti-D (que contém anticorpos anti-Rh). Coloca-se uma gota de soro numa lâmina de microscopia. Adicionando-se uma gota de sangue, poderá ou não haver aglutinação. Se as hemácias aglutinarem o sangue pesquisado é Rh positivo; não havendo aglutinação o sangue é Rh negativo.
A IMPORTÂNCIA DO FATOR RH
A importância do fator Rh em populações humanas reside no aparecimento, em certas condições, da doença hemolítica do recém-nascido (DHRN) ou eritroblastose fetal (EF).
A condição primordial para a ocorrência dessa anomalia é a seguinte:
Entretanto, essa condição é necessária mas não suficiente, porque nem sempre em cruzamentos dessa natureza ocorre a eritroblastose do feto.
Sabemos que, normalmente, há uma separação nítida e completa entre a circulação materna e a circulação do feto, o sangue fetal é produzido pelo próprio feto. Através da placenta, ele apenas recebe oxigênio da mãe e certas substâncias nutritivas dissolvidas no plasma. Não há passagem de glóbulos sanguíneos do feto para a mãe e vice-versa. Portanto, também não há passagem de proteína Rh das hemácias do feto para o organismo materno.
Algumas vezes, porém, por algum acidente (por exemplo, rompimento de vasos sanguíneos na placenta) acaba ocorrendo passagem de sangue fetal para o materno e vice-versa. Nesse caso, o sangue fetal (com antígeno Rh), passando ao corpo da mãe. Induz nela a formação de anticorpos anti-Rh que ficam no plasma. O sangue da mãe ao passar pelo corpo do feto, causará aglutinação e destruição de hemácias. Como resposta à destruição de hemácias, o organismo do feto lança em circulação numerosos eritroblastos (que normalmente deveriam estar na medula óssea por serem hemácias imaturas). Daí o nome eritroblastose fetal dado a essa anomalia.
Dessa forma, a mulher fica também sensibilizada com proteínas Rh na circulação sanguínea.
Após o nascimento, devido à destruição de hemácias, produz-se grande quantidade de bilirrubina (pigmento amarelo) que fica circulando pelo sangue fetal. Esse pigmento é eliminado através da pele, que adquire um aspecto amarelado denominado icterícia.
Como na primeira gestação a mãe não ficou muito sensibilizada pelo fator Rh, a criança sobrevive , mas deve ser submetida a uma transfusão de sangue Rh. Assim, os anticorpos anti-Rh que, porventura, estejam no sangue fetal não terão hemácias para aglutinar. Com o decorrer do tempo, esse sangue será substituído por novo sangue que o feto passa a produzir.
Entretanto, se a mulher engravidar pela segunda vez, um feto Rh+, como ela já estava sensibilizada pelo fator Rh, na primeira gestação, agora o número de anticorpos anti-Rh aumentará com maior rapidez e as conseqüências no feto serão mais enérgicas podendo acarretar-lhe risco de vida devido à grande anemia que adquirirá.
Isso poderia ter ocorrido na primeira gestação se a mulher tivesse recebido alguma transfusão de sangue Rh positivo.
Questão resolvida:
Um casal teve quatro filhos, sendo que o segundo e o terceiro nasceram com eritroblastose fetal e o quarto filho nasceu normal. Dê os prováveis genótipos de todos os componentes dessa família.